Realizado o sonho de adquirir o carro que você tanto procura, duas coisas normalmente acontecem: a avaliação do que você comprou e os planos para transformar seu novo carro num “superbólido”, nesta ordem.
Depois de realizado o depósito, a Brasília e seus documentos me foram entregues na Bosch, no horário do expediente. Como eu não tinha vaga na empresa, ela teria que ficar na rua mesmo. E na primeira mexida, tudo bem com o motor, que pegou logo nas primeiras tentativas (o tio da ex-proprietária era mecânico). Senti que a direção era um tanto dura, mas joguei a culpa nos pneus, mais largos do que os originais. Estacionei o carro e, na hora de fechá-lo... A porta do passageiro só trancava por dentro: na chave, nem em sonho. Notei também que o quebra-vento deste lado tinha uma “cara” estranha, meio fosco: era de acrílico, assim como o vidro do motorista, o que só detectei no final de tudo. Voltei para o trabalho com a cabeça do lado de fora da empresa.
Terminado o dia (era uma sexta-feira) parti para a aventura de levar a Brasa para casa. Como era verão, o dia não escureceu tão cedo, o que me ajudou a ficar mais tranqüilo quando notei que “minha nova filha” pensava 56 vezes antes de decidir parar, mesmo com o pé cravado no freio... A direção continuava dura, até quando em movimento, e suspensão e quebra-molas (em Campinas há vários, além de valetas também) não chegavam em um acordo: era só na base da pancada. Estacionei em casa completamente molhado de suor.
No dia seguinte, sabadão de sol, fui olhar com mais carinho para a dita cuja, dar uma lavada... Descobri que minhas caixas de ar, a esta altura, só tinham mesmo ar. A espuma dos bancos estava boa, mas a forração, nem tanto. Duas rodas bem enferrujadas e duas lâminas de pára-choque também. E nada de polainas. O painel de instrumentos (o chamado “moderno”) estava solto, pois o local de fixação dos dois parafusos estava quebrado. E o retrovisor do lado do motorista simplesmente se recusava a ficar na posição: adorava admirar o asfalto.
Depois de realizado o depósito, a Brasília e seus documentos me foram entregues na Bosch, no horário do expediente. Como eu não tinha vaga na empresa, ela teria que ficar na rua mesmo. E na primeira mexida, tudo bem com o motor, que pegou logo nas primeiras tentativas (o tio da ex-proprietária era mecânico). Senti que a direção era um tanto dura, mas joguei a culpa nos pneus, mais largos do que os originais. Estacionei o carro e, na hora de fechá-lo... A porta do passageiro só trancava por dentro: na chave, nem em sonho. Notei também que o quebra-vento deste lado tinha uma “cara” estranha, meio fosco: era de acrílico, assim como o vidro do motorista, o que só detectei no final de tudo. Voltei para o trabalho com a cabeça do lado de fora da empresa.
Terminado o dia (era uma sexta-feira) parti para a aventura de levar a Brasa para casa. Como era verão, o dia não escureceu tão cedo, o que me ajudou a ficar mais tranqüilo quando notei que “minha nova filha” pensava 56 vezes antes de decidir parar, mesmo com o pé cravado no freio... A direção continuava dura, até quando em movimento, e suspensão e quebra-molas (em Campinas há vários, além de valetas também) não chegavam em um acordo: era só na base da pancada. Estacionei em casa completamente molhado de suor.
No dia seguinte, sabadão de sol, fui olhar com mais carinho para a dita cuja, dar uma lavada... Descobri que minhas caixas de ar, a esta altura, só tinham mesmo ar. A espuma dos bancos estava boa, mas a forração, nem tanto. Duas rodas bem enferrujadas e duas lâminas de pára-choque também. E nada de polainas. O painel de instrumentos (o chamado “moderno”) estava solto, pois o local de fixação dos dois parafusos estava quebrado. E o retrovisor do lado do motorista simplesmente se recusava a ficar na posição: adorava admirar o asfalto.
Tomei logo a decisão de resolver os problemas, principalmente os de segurança. Ou seja, o trajeto foi Bosch, casa, casa, oficina. Levei meu carro na Sena Auto Center, onde costuma deixar o Santana com o mecânico Elvis. Pois é, Elvis não morreu: Elvis está vivo e trabalha na Sena Auto Center. Contei tudo que havia encontrado e mais um pouco. No dia seguinte, quando voltei para pegar o orçamento, notei a alegria da proprietária Maria de Lourdes (a "Malu") em me atender. E logo entendi o porquê.
Entre os problemas, dois amortecedores e uma barra estabilizadora quebrada, um freio traseiro inoperante, discos e pastilhas gastos na frente, escapamento furado, as molas já eram, duas rodas também e, o mais importante: uma caixa de direção com a carcaça rachada. Pois é, meu caro, comprando a Brasa e levando para o Elvis, salvei cinco vidas: a minha e a dos quatro caras que andavam nela...
Mais de mil reais se foram (aproveitei e troquei o escape por um de Puma, com aquele ronco incrível), mas pelo menos estava seguro para andar. E foi aí que discordei dos meus colegas de Bosch, que disseram que eu fui o único cara de Campinas que havia comprado um carro somente com o 13º. salário... Eu não havia comprado um carro: eu havia comprado uma deliciosa dor-de-cabeça...
Entre os problemas, dois amortecedores e uma barra estabilizadora quebrada, um freio traseiro inoperante, discos e pastilhas gastos na frente, escapamento furado, as molas já eram, duas rodas também e, o mais importante: uma caixa de direção com a carcaça rachada. Pois é, meu caro, comprando a Brasa e levando para o Elvis, salvei cinco vidas: a minha e a dos quatro caras que andavam nela...
Mais de mil reais se foram (aproveitei e troquei o escape por um de Puma, com aquele ronco incrível), mas pelo menos estava seguro para andar. E foi aí que discordei dos meus colegas de Bosch, que disseram que eu fui o único cara de Campinas que havia comprado um carro somente com o 13º. salário... Eu não havia comprado um carro: eu havia comprado uma deliciosa dor-de-cabeça...
Ganhando bem, morando sozinho, buscando novos rumos e com esta aura antigomobilista campineira, foi de certo modo natural que eu decidisse por começar a minha própria coleção de antigos. Afinal de contas, não é somente a beleza destes carros que me chama a atenção. O empenho de seus proprietários em manter as condições originais, os detalhes minuciosos, os cuidados especiais, realmente me toma de grande admiração. Gosto de pessoas que lutam com real afinco por um objetivo. 

